Esta Segunda, estava eu na UM e fui ao GAA comprar títulos de transporte. Ao lado, esta uma pilha de jornais do Académico. Peguei numa cópia, como faço sempre que há uma nova edição, e pus.me a caminho do Bar da Escola de Engenharia para ler um bocado.
A minha expressão de espanto e choque verificou.se quando li o seguinte:
A carta que se segue estava em cima da escrivaninha do quarto onde foi encontrada morta uma menina de 11 anos. Ao lado da carta, estavam cartelas vazias que deveriam ter contido, nas contas dos seus pais, 83 comprimidos. Por baixo, folhas impressas com informações retiradas da internet sobre morte por abuso de medicação.
"Queridos pais
Espero que quando lerem isto já não esteja cá para vos fazer sofrer mais. Já sei que vão dizer que não é verdade que eu vos fazia sofrer, mas vocês dizem isso para me sossegar, bem tenho ouvido a mãe murmurar que qualquer dia engole os comprimidos todos que tiver em casa para se ver livre deste sofrimento. E como eu não vos consigo consolar, serei menos um desgosto. Sei que o meu lugar é junto do mano, que não pôde nascer porque iria sofrer muito e nós também. Custou.me aprender o que significava isso de sofrer, mas fiquei a saber quando me explicaram que o mano que eu tinha pedido tanto e que vinha a caminho teve de ser tirado da barriga da mãe porque os médicos disseram que ele ia ser muito deficiente. Essa foi outra coisa que tive de aprender o que queria dizer. Na minha escola, a mãe da Susi dizia que era deficiente porque só via a luz e mais nada. Mas, se calhar ela só era um bocadinho deficiente, não muito. ambém na sala do lado da nossa, havia um menino que não aprendia quase nada, era preciso repetir-lhe as coisas muitas vezes. Chamavam-lhe atrasado e tolinho, mas nunca percebi se ele era muito ou pouco deficiente.
Eu sei que o mano ia ser deficiente de outra maneira ainda mais difícil porque ia ser tolinho e ter um ar estranho, a mãe explicou-me tudo. Ela também me explicou que quando os pais ficassem velhos e morressem, não ia haver quem cuidasse do mano. Eu disse que cuidava eu, mas a mãe disse que eu ia querer fazer a minha vida e não ia poder. Então eu disse que havia tanta gente à nossa volta, entre todos iríamos conseguir. Mas a mãe insistiu que não era viável e garantiu-me que o mano ia para um lugar onde não existe sofrimento, onde estaria melhor.
Então, eu pensei que agora era a minha vez de ir também para esse lugar sem sofrimento. Depois de ter caído da varanda do quarto andar, onde mora a Petra, e fiquei assim sem sentir as pernas e a sentir mal um dos braços, nesta cadeira que me tem de levar para todo o lado, fiquei realmente esquisita sempre aqui sentada. E depois, não sei porquê, passo a vida a chorar de cada vez que alguém olha para mim com aquele olhar de pena. Eu às vezes até nem me lembro que estou assim, porque na minha cabeça eu imagino que está tudo bem, mas depois os olhos de alguém dizem que têm muita pena de mim e eu, que queria consolar aquela pessoa que ficou triste por minha causa, não consigo e choro também. Acho que também estou a ficar tolinha, até porque na escola, em vez de prestar atenção, estou a fazer desenhos de meninas com asas que voam e voam pelos meus cadernos. Não sei se sou muito ou pouco deficiente, mas cada vez me convenço que sou muito, se não fosse assim, não veria tanta gente a perguntar o que vai ser de mim agora. É engraçado, mas o menino atrasado lá da escola um dia destes viu-me a chorar e veio dar-me um abraço sem dizer nada.
Quando chegar ao pé do mano, vou contar-lhe tantas coisas, falar-lhes de vocês e dos meus amigos. Ele vai gostar de saber e até vamos brincar muito porque, se esse tal lugar não tem sofrimento, mesmo que sejamos esquisitos ou tolinhos isso não tem importância.
Um beijo enorme para todos."
No mínimo, impressionante.
Fiquei sem palavras ... não que adiantassem o que fosse, infelizmente.
Um abraço^^
A minha expressão de espanto e choque verificou.se quando li o seguinte:
A carta que se segue estava em cima da escrivaninha do quarto onde foi encontrada morta uma menina de 11 anos. Ao lado da carta, estavam cartelas vazias que deveriam ter contido, nas contas dos seus pais, 83 comprimidos. Por baixo, folhas impressas com informações retiradas da internet sobre morte por abuso de medicação.
"Queridos pais
Espero que quando lerem isto já não esteja cá para vos fazer sofrer mais. Já sei que vão dizer que não é verdade que eu vos fazia sofrer, mas vocês dizem isso para me sossegar, bem tenho ouvido a mãe murmurar que qualquer dia engole os comprimidos todos que tiver em casa para se ver livre deste sofrimento. E como eu não vos consigo consolar, serei menos um desgosto. Sei que o meu lugar é junto do mano, que não pôde nascer porque iria sofrer muito e nós também. Custou.me aprender o que significava isso de sofrer, mas fiquei a saber quando me explicaram que o mano que eu tinha pedido tanto e que vinha a caminho teve de ser tirado da barriga da mãe porque os médicos disseram que ele ia ser muito deficiente. Essa foi outra coisa que tive de aprender o que queria dizer. Na minha escola, a mãe da Susi dizia que era deficiente porque só via a luz e mais nada. Mas, se calhar ela só era um bocadinho deficiente, não muito. ambém na sala do lado da nossa, havia um menino que não aprendia quase nada, era preciso repetir-lhe as coisas muitas vezes. Chamavam-lhe atrasado e tolinho, mas nunca percebi se ele era muito ou pouco deficiente.
Eu sei que o mano ia ser deficiente de outra maneira ainda mais difícil porque ia ser tolinho e ter um ar estranho, a mãe explicou-me tudo. Ela também me explicou que quando os pais ficassem velhos e morressem, não ia haver quem cuidasse do mano. Eu disse que cuidava eu, mas a mãe disse que eu ia querer fazer a minha vida e não ia poder. Então eu disse que havia tanta gente à nossa volta, entre todos iríamos conseguir. Mas a mãe insistiu que não era viável e garantiu-me que o mano ia para um lugar onde não existe sofrimento, onde estaria melhor.
Então, eu pensei que agora era a minha vez de ir também para esse lugar sem sofrimento. Depois de ter caído da varanda do quarto andar, onde mora a Petra, e fiquei assim sem sentir as pernas e a sentir mal um dos braços, nesta cadeira que me tem de levar para todo o lado, fiquei realmente esquisita sempre aqui sentada. E depois, não sei porquê, passo a vida a chorar de cada vez que alguém olha para mim com aquele olhar de pena. Eu às vezes até nem me lembro que estou assim, porque na minha cabeça eu imagino que está tudo bem, mas depois os olhos de alguém dizem que têm muita pena de mim e eu, que queria consolar aquela pessoa que ficou triste por minha causa, não consigo e choro também. Acho que também estou a ficar tolinha, até porque na escola, em vez de prestar atenção, estou a fazer desenhos de meninas com asas que voam e voam pelos meus cadernos. Não sei se sou muito ou pouco deficiente, mas cada vez me convenço que sou muito, se não fosse assim, não veria tanta gente a perguntar o que vai ser de mim agora. É engraçado, mas o menino atrasado lá da escola um dia destes viu-me a chorar e veio dar-me um abraço sem dizer nada.
Quando chegar ao pé do mano, vou contar-lhe tantas coisas, falar-lhes de vocês e dos meus amigos. Ele vai gostar de saber e até vamos brincar muito porque, se esse tal lugar não tem sofrimento, mesmo que sejamos esquisitos ou tolinhos isso não tem importância.
Um beijo enorme para todos."
No mínimo, impressionante.
Fiquei sem palavras ... não que adiantassem o que fosse, infelizmente.
Um abraço^^
tambem eu fikei chocada...
ResponderEliminaracredita k sim
como e possivel uma criança sofrer assim, e seker pensar em suicidio?
simplesment n consigo perceber em k raio d mundo vivemos...
as vezs tambem kero acreditar k o sitio ond ela esta agora e mt melhor k aki, k ela la n sofrerá o k sofreria aki...
no minimo da k reflectir em k nos estamos a tornar, no que estamos a tornar td a nossa volta...